Adeus, Lênin! e As Invasões Bárbaras: uma comparação possível
*** Atenção! Se você não viu nenhum dos filmes ainda, há spoilers no texto a seguir! ***
Além de ambos serem filmes estrangeiros, os fatos que envolvem a trama dos dois filmes podem ser colocados lado-a-lado, propiciando uma comparação interessante.
Em primeiro lugar, o óbvio: filmes que apresentam um personagem em estado terminal, que muda a rotina de sua família. E ainda por cima, mãe (Adeus Lênin!) e pai (As Invasões Bárbaras), ambos comunistas.
Nos dois filmes, o filho tenta fazer do final da vida de seus pais o mais confortável possível. Enquanto Sebastién, em
As Invasões Bárbaras, monta um confortável quarto no hospital público onde seu pai está, além de contratar uma amiga para sessões de heroína a fim de apaziguar as dores do doente terminal, o Alex de
Adeus Lênin! corta um dobrado para ocultar de sua mãe o fato de que a Alemanha Oriental que ela amava e ajudou a manter já não mais existe.
Um fato interessante é que, nessa tentativa de melhorar a qualidade de (fim de) vida de seus genitores, os dois lançam mão de artifício semelhante: pagam antigos alunos de seus pais (ambos professores, olhem como as coincidências persistem) visitem os antigos mestres. Mas no que um é usado como recurso humorístico, no outro é uma reflexão de como o dinheiro entra em nossas vidas de tal forma que achamos que podemos solucionar tudo com ele, até a carência afetiva.
Acima de tudo, são belos filmes sobre o amor filial, tanto na sua forma incondicional (Adeus, Lênin!), quanto na forma gradual e paulatina como se desvenda, após anos de embrutecimento na selva de pedra (As Invasões Bárbaras).
Ainda dá tempo de assistir a esses filmes em tela grande, com ar condicionado,
dolby stereo e barulho de papel de bala se abrindo. Eu rrrrecomendo.